Imprimir peças e acessórios de drone: o que o peso muda
O que vale a pena imprimir para um drone do comércio, e o que uma peça acrescentada faz à sua massa e à sua classe.
A questão não é «isto é imprimível»
Quase tudo é. A questão útil é: esta peça tem o seu lugar num aparelho que voa, e o que muda naquilo que tem o direito de fazer com ele.
Três famílias distinguem-se claramente.
O que se justifica. As peças que o fabricante já não vende, as proteções que se partem em série, os suportes que não existem para a sua combinação de material, as tampas de objetiva e os calços de transporte. Aqui a impressão 3D responde a uma falta real.
O que se discute. Os trens de aterragem elevados, os defletores, os para-sóis de rádio. Funciona, muda o equilíbrio, e isso mede-se em vez de se supor.
O que não tem lugar. Tudo o que roda, tudo o que suporta, tudo o que retém. As hélices impressas não pertencem à bricolagem aceitável: rodam a dezenas de milhares de rotações por minuto, delaminam segundo as camadas, e um fragmento parte à altura do rosto. Os braços e as dobradiças de um aparelho dobrável pertencem à mesma família.
A regra que se descobre tarde demais: pese
É o ponto que as páginas sobre impressão 3D para drones não tratam, e é o que tem consequências.
A administração belga di-lo sem rodeios nas suas informações gerais sobre drones:
«Se acrescentou um acessório ao seu UAS, lembre-se de o pesar para verificar que a massa máxima à descolagem (MTOM) não é ultrapassada. Verifique igualmente as condições de operação para essa nova massa.»
Duas obrigações, não uma. Verificar a massa, e verificar o que essa nova massa autoriza.
⚠️ O limiar dos 250 g não perdoa. Um aparelho vendido a 249 g foi concebido para ficar abaixo da linha, com uma margem de um ou dois gramas. Uma proteção de hélices impressa pesa habitualmente 10 a 30 g. Faz o aparelho bascular acima de 250 g, e essa báscula não é cosmética: muda as obrigações de registo, de formação e de distância às pessoas.
O paradoxo merece ser dito, porque surpreende: acrescentar uma proteção para voar com mais prudência pode fazê-lo mudar de categoria regulamentar.
A marcação de classe
Um drone recente tem uma etiqueta de C0 a C6. Essa etiqueta é aposta pelo fabricante e atesta que o aparelho respeita as exigências técnicas da sua classe, definidas pelo regulamento delegado (UE) 2019/945: massa, velocidade, dispositivos embarcados.
A massa faz parte dessas características. Um aparelho marcado C0 está-o porque pesa menos de 250 g. Sobrecarregado além disso, já não apresenta a característica em que a sua marcação assenta.
⚠️ Não lhe diremos aqui que a marcação se torna nula, porque não encontrámos texto que o escreva nesses termos, e porque uma afirmação destas propaga-se depressa. O que está estabelecido, em contrapartida: a marcação certifica características medidas à saída da fábrica, a massa faz parte delas, e a autoridade pede-lhe para verificar as condições de operação aplicáveis à nova massa. É essa verificação que o compromete, não a etiqueta colada na carcaça.
Na prática, a pergunta a fazer antes de imprimir não é «tenho o direito», mas «em que subcategoria fica o meu aparelho, uma vez montada esta peça».
O que a matéria permite, e o que proíbe
Uma peça de drone trabalha em condições que o mobiliário de escritório não conhece.
O sol. Um aparelho pousado num parque de estacionamento no verão ultrapassa depressa os 50 °C. O PLA amolece nessa gama: uma peça que aguentava de manhã pode ter fluído à noite. O PETG, o ASA e o nylon encaixam melhor.
Os ultravioletas. O PLA e o ABS fragilizam-se com a exposição prolongada. O ASA foi concebido para isso.
A vibração. Uma peça impressa com pouco enchimento fadiga-se nas interfaces. Uma fixação de câmara que se solta em voo só se vê à aterragem.
O atrito. Os filamentos carregados com carbono gastam um bico em latão em algumas centenas de gramas. Um bico endurecido não é uma opção de conforto.
Três regras simples
- Pese antes e depois, numa balança de cozinha ao grama. Anote os dois valores. É o único dado que conta numa conversa com uma autoridade.
- Não imprima nada que rode nem que suporte. Hélices, braços, dobradiças: a economia não vale o risco, e uma hélice impressa que delamina parte na direção do que a rodeia.
- Verifique a subcategoria depois da montagem, não antes. Os 250 g atravessam-se com uma peça de 20 g, e a passagem não se assinala sozinha.
E se construir em vez de reparar
Imprimir uma peça para um drone do comércio e imprimir um drone inteiro não pertencem ao mesmo quadro. Um aparelho construído a título privado não tem marcação de classe, e o regulamento abre-lhe A1 ou A3, nunca A2.
Imprimir um drone FPV em 3D trata esse caso, com os limiares exatos.